Agradecimento

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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

100 anos depois: Expedição aos destroços do Titanic



O megassucesso de bilheteira Titanic, realizado por James Cameron, retrata, com uma boa dose de romance à mistura, a tragédia do naufrágio de 1912. Passados cem anos sobre a tragédia que tirou a vida a 1500 pessoas, algumas empresas propõe aos fãs de Titanic ver os destroços do navio de perto, bem perto. Cada expedição dura em média 5 dias cada e leva o viajante ao local onde se encontram os destroços do célebre navio, afundado na sua viagem inaugural.
Este programa exclusivo, para o mínimo de vinte pessoas, leva os participantes numa viagem ao passado e às memórias ainda vivas do Titanic. Para chegar até às profundezas é necessário descer mais de três mil metros. A descida até o navio é feita num submarino russo, semelhante ao usado nas filmagens do filme de Cameron.
Transportados um a um nesta unidade, os aventureiros têm a possibilidade de observar, com recurso de última geração, os pedaços do navio cobertos de lodo, objetos pertencentes aos seus ocupantes e peças de mobiliário que guardam uma das histórias mais famosas do século XX.
Durante as sessões de mergulho vários peritos no assunto explicam detalhes aos participantes como se foi o acidente e as suas consequências. A viagem por terra inicia-se em Halifax, capital da Nova Escócia, o local onde se refugiaram muitos dos sobreviventes que conseguiram escapar.
Dali ruma-se a Saint John’s, a mais antiga cidade inglesa fundada na América do Norte. No dia seguinte embarca-se num cruzeiro com destino ao Sul da ilha de Newfoundland – para o arranque da expedição submarina. Uma oportunidade única para recordar passo a passo aquele que foi considerado um dos maiores desastres marítimos da história.

Alguns relatos Parte 3


Do relato do norte-americano Washington Dodge, 52 anos, passageiro da Primeira Classe e ocupante da cabine A34, com a esposa Ruth, 34 anos, e o filho Washington Jr., 4 anos:

(...) Notei que os motores pararam e, em seguida, ouvindo passos apressados no convés superior, exatamente sobre nossa cabine, achei melhor investigar. Parcialmente vestido, deixei a cabine e me encontrei com meia dúzia de homens, todos especulando a respeito do incidente. Enquanto conversávamos, passou por nós um tripulante, com pressa, e perguntei-lhe que tipo de problema tínhamos. Ele garantiu que não era sério, provavelmente uma avaria nas hélices.

(...) Para investigar melhor; fui ao convés A, onde um grupo de homens conversava animadamente. Um deles comentou que o impacto fora no gelo. Quando um dos outros lhe questionou a autoridade no assunto, ele replicou:
- Vá ao tombadilho da popa e veja por si mesmo.
Tomei eu a iniciativa de ir até o fim do convés A e, olhando para baixo, vi um sem-número de fragmentos de gelo perto da amurada de estibordo, o bastante para encher várias carroças.
Enquanto eu estava ali aconteceu algo que me fiz ter consciência de que o problema era sério. Dois fornalheiros apareceram no convés e um deles me perguntou:
- O senhor acha que há perigo?
- Perigo há se o navio fizer água - respondi -, e sobre isto vocês devem saber mais do que eu.
O homem tornou, alarmado:
- A água estava na sala da caldeira quando escapamos.
Neste momento, vi no tombadilho da popa que alguns passageiros da Terceira Classe se divertiam caminhando sobre o gelo e chutando-o. O iceberg eu não vi.

(...) Quando chegamos ao convés dos barcos, o primeiro bote de estibordo já estava pendurado nos turcos e ocupado por algumas pessoas. O oficial chamava mulheres e crianças para completá-lo, mas parecia difícil achar alguma que quisesse fazê-lo. Eu mesmo hesitava em embarcar minha mulher e meu filho, sem saber o que era melhor: que permanecessem no navio ou se arriscassem num bote que precisava descer quase 30 metros até a água. Enquanto os vestia com os coletes, ouvi a ordem do oficial:
- Lançar!

(...) Passada meia hora do lançamento do bote13, olhando para o navio, para a linha das vigias iluminadas, observeique estava muito inclinado para a frente e ia aumentando o grau da inclinação. Fiquei chocado. Ninguém no bote imaginava que fosse afundar.

(...) Com o desaparecimento do navio, um sentimento de solidão e uma profunda depressão se apossaram dos que estávamos no bote. Quase não falávamos, mas ouvi alguém dizer: “Podemos ficar aqui por muito tempo, até que nos achem”. Nós nos ocupávamos, incansavelmente, em esquadrinhar o mar em busca da luz de outro navio.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

CORAÇÃO DO OCEANO


O Coração do Oceano, The Heart of the Ocean, Le Coeur de La Mer, é o nome do mundialmente famoso colar oferecido à personagem Rose DeWitt Bukater - Kate Winslet - no grande sucesso Titanic; é seguro dizer que hoje esta magnífica peça da joalheria é uma das mais famosas jóias do cinema mundial. O Diamante "Coração do Oceano", diamante histórico, como é citado no filme, jamais existiu. O famoso diamante usado por Rose na cena onde é desenhada nua pelo parceiro Jack é um diamante fictício, foi uma criação exclusiva para Titanic de 1997, inserida no roteiro como chave central responsável pelo início da trama, existe apenas no enredo do filme. A jóia foi feita pelos joalheiros Asprey e Garrard, de Londres, através de uma zircônia cúbica azul afixada a uma armação de ouro branco, cujo valor era de US$ 10.000 e encontra-se hoje no acervo da FOX. Para a Cerimônia do Oscar foi encomendada também à Asprey e Garrard, uma cópia do colar; a qual foi usada por Celine Dion. Na noite de gala do Oscar de 23 de Março de 1998, ela cantou "My Heart Will Go On" usando a jóia, que foi avaliada em 3,5 milhões, num dos momentos mais quentes da execução da música, Celine Dion faz um gesto brusco, enrosca a mão no colar e o faz saltar no pescoço. Esta peça foi feita com uma safira do Ceilão engastada em platina e rodeada por 65 diamantes reais. A jóia não aparece no filme, foi usada apenas na noite do Oscar. Mais tarde, foi vendida num leilão de beneficência para o "Diana, Princess of Wales Memorial Fund e Southern California's Aid For AIDS" por $ 2,2 milhões. Hoje a jóia pertence à filha de um rico cliente da marca Asprey.  Ao mesmo tempo, o joalheiro Harry Winston usou um diamante de 15 quilates ( 3,0 g.) para produzir sua interpretação do colar "Coração do Oceano". Este colar, que é uma adaptação livre, avaliado em 20 milhões de dólares, fora então usado por Gloria Stuart também na noite que premiou o filme Titanic com 11 estatuetas do Oscar.
A Companhia J. Peterman, em 1997, quando o filme foi lançado, fabricou reproduções do Coração do Oceano. Esta versão consiste em 137 cristais autríacos que rodeiam uma imitação de diamante azul. A peça é embalada em uma caixa azul-marinho articulada e acompanha um certificado de autenticidade validado pela Twenty Century FOX. 
Recentemente um joalheiro americano disponibilizou reproduções do Coração do Oceano de ótima qualidade, feitas artesanalmente com cristais swarovski. Haviam duas opções: uma em tamanho real ( mais cara ) e uma em tamanho ligeiramente reduzida ( mais barata ). O valor de venda girava entre US$ 1500 - 2500 dólares e os exemplares "evaporaram-se" rapidamente. Até hoje são as reproduções mais belas e tecnicamente perfeitas.
Mas, para quem não pode gastar uma grande quantia, ainda há no mercado, bonitas reproduções do Coração do Oceano muito populares, facilmente encontradas e vendidas a baixo preço.
Apesar de fictícia, a jóia fora baseada no diamante Hope que é um real diamante azul de altíssimo valor - avaliado entre $ 200 e 250 milhões - cuja história ultrapassa 300 anos e carrega uma lenda de maldições que diz que esta jóia trouxe muito azar aos vários proprietários ao longo dos anos. 
O primeiro registo histórico do diamante Hope surge por volta de 1660, quando o mercador francês Jean-Baptiste Tavernier o adquiriu durante as suas viagens na Índia. A pedra tinha então cerca de 112 quilates e estava lapidada em forma de triângulo. O diamante é originário da mina de Kollur e, de acordo com a lenda, foi roubado de um templo hindu dedicado à deusa Sita, onde estava encastrado numa estátua, representando um dos olhos da divindade. Em 1668, Tavernier vendeu o diamante ao rei Luís XIV de França. A pedra foi entregue ao joalheiro da corte, Sieur Pitau, que a cortou e lapidou de acordo com o gosto da corte francesa.
O diamante passou a pesar cerca de 67 quilates e ficou conhecido como o Diamante Azul da Coroa. Luís XIV costumava usá-lo ao pescoço em ocasiões solenes, suspenso numa fita e encastrado em ouro. O seu bisneto, Luís XV, readaptou a pedra para fazer parte do seu pendente da Ordem do Tosão de Ouro. Mais tarde, Luís XVI ofereceu a pedra a Maria Antonieta, por ocasião do seu casamento. Durante a Revolução Francesa, já com o rei e a rainha na prisão, as jóias da coroa desapareceram num roubo efetuado a 11 de Setembro de 1792. O diamante azul desapareceu também, e o seu paradeiro é incerto nos anos seguintes. Em 1812, o diamante reaparece na posse de Daniel Eliason, um mercador de jóias londrino. A identidade da pedra foi disputada até se confirmar, em 2005, que era de facto o diamante azul francês, desaparecido durante a revolução. Apesar de se supôr habitualmente que a pedra foi adquirida pelo rei Jorge IV do Reino Unido, não há registros da compra nos arquivos da contabilidade real. O dono seguinte do diamante foi Henry Philip Hope, que o adquiriu em 1824 para a sua coleção de pedras preciosas. A partir desta data, a pedra passa a ser conhecida como diamante Hope.
O diamante foi adaptado como um pregador, usado pela cunhada de Hope em ocasiões sociais. Após a morte de Henry Philip em 1839, os seus sobrinhos lutaram pela herança em tribunal durante dez anos, até a coleção de gemas ser por fim concedida a Henry Hope. O diamante passava a maior parte do tempo guardado num cofre, mas foi exibido na Great Exhibition de Londres (1851) e na Exposição Universal de Paris (1855). O diamante Hope permaneceu na posse da família até 1901, quando foi vendido a um joalheiro londrino por 29,000 libras, para pagar as dívidas de Francis Hope. Após várias mudanças de dono e cortes, que incluíram Pierre Cartier e a socialite Evalyn MacLean (que por vezes o pregava à coleira dos seus cães), o diamante Hope foi adquirido por Harry Winston em 1949, por uma soma desconhecida. Winston incluiu o diamante numa coleção de outras pedras preciosas famosas que exibia para fins de caridade. Em 1958, Harry Winston doou o diamante ao Instituto Smithsonian onde permanece até hoje exposto. A lenda da maldição do diamante Hope nasceu no início do século XX e foi criada por May Yohe, uma atriz dos Estados Unidos que fora casada com Lorde Francis Hope e que fugira para a Austrália com o amante. A vida não lhe correu bem e, de regresso aos Estados Unidos, procurou vender a história da maldição a produtores de cinema de Hollywood. A história do diamante transformou-se num filme, que incluía diversas liberdades criativas como a atribuição da morte de Marat à maldição e, possivelmente, à origem da lenda do roubo do templo Hindu. Desde então, diversos infortúnios têm sido atribuídos ao diamante, como o destino de Luís XVI e Maria Antonieta (que acabaram guilhotinados na Revolução Francesa), a suposta morte de Tavernier devorado por lobos (que de facto morreu de causas naturais), a loucura de Jorge IV ou a morte de Catarina, a Grande (que nunca possuíram o diamante).

ALGUNS RELATOS - PARTE 2

Relato da menina Ruth Becker, 12 anos, ocupante da cabine F4 da Segunda Classe com a mãe, Nellie, 35 anos, e os irmãos Marion, 4 anos, e Richard, 1 ano:

(...) Tivemos de subir cinco escadarias para chegar a um lugar cheio de mulheres. Estavam chorando, algumas quase despidas. Todo mundo estava assustado e ninguém sabia o que tinha acontecido.

(...) Um oficial pegou minha irmã, outro, o meu irmão e os acomodaram no bote 11.
- Neste bote, basta - disse o oficial.
Minha mãe chorava:
- Deixem-me ir neste aí, aqueles são meus filhos. Eles permitiram e me deixaram para trás. Minha mãe gritou:
- Ruth, pegue o outro bote.
O oficial me pegou no colo e me colocou no bote ao lado.

(...) Podíamos ver do bote 13 as luzes desaparecendo uma por uma, até que houve uma grande explosão. Então acho que o navio se partiu ao meio e, pouco depois, afundou. Ouvíamos os gritos horríveis daquelas pessoas que estavam indo para o fundo do mar.

Alguns relatos


De uma entrevista ao New York Times em 19 de abril de 1912 do fornalheiro Harry Senior, 31 anos:
Vi uma mulher italiana com dois bebês e peguei um deles. Fiz a mulher pular com um dos bebês, enquanto eu jazia o mesmo com o outro. Mergulhei e, quando voltei a superfície, o bebê em meus braços estava morto. Tive de abandoná-lo. Em seguida vi a mulher nadando, mas sobreveio a explosão de uma caldeira e uma grande onda que a engoliu.



De uma carta de Richard Williams ao Coronel Gracie:
Não permaneci durante muito tempo debaixo d'água e, tão logo pude vir à tona, despi meu sobretudo de pele. Também tirei os sapatos. Nadando uns 20 metros, vi algo flutuando. Era um dos botes dobráveis. Pendurei-me na borda e pude alçar-me, sentando-me. A água me cobria até acima da cintura. No todo, éramos umas trinta pessoas ali.