Agradecimento

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terça-feira, 3 de abril de 2012

TITANIC EM RELÓGIO DE LUXO



Pedaços de aço e carvão do Titanic foram transformados em uma nova linha de relógios de pulso de luxo que afirmam captar a essência do transatlântico legendário que afundou em 1912. A fabricante de relógios de Genebra Romain Jerome descreve sua coleção "Titanic-DNA" como estando entre as peças mais exclusivas expostas esta semana na Baselworld, a maior feira anual da indústria de relógios e joalheria.
"É algo muito luxuoso e inacessível", disse Yvan Arpa, executivo-chefe da empresa, que espera que os relógios de edição limitada atraiam colecionadores e compradores milionários de artigos de luxo.
"Muitas pessoas ricas compram relógios incrivelmente complexos sem compreender seu funcionamento, apenas porque querem ter uma história para contar", disse ele. "Estamos oferecendo uma história para elas."
O local do naufrágio do Titanic, que chocou-se com um iceberg e afundou no Atlântico norte, em sua primeira viagem do porto inglês de Southampton para Nova York, é protegido há mais de uma década, mas muitos destroços foram levados nas primeiras expedições de mergulho no local. A Romain Jerome disse que comprou um pedaço de 1,5 kg da quilha do navio que foi recuperado. O metal foi certificado como autêntico pela empresa que construiu o Titanic, Harland & Wolff. Para produzir os relógios, a empresa suíça criou uma liga usando o material do Titanic e aço empregado pela Harland & Wolff na criação de uma réplica do Titanic.
Feitos de ouro, platina e aço, os relógios têm mostradores pretos de laca feitos com carvão recuperado do local do naufrágio do Titanic. Arpa disse que a combinação de materiais velhos e novos confere aos relógios um senso de renovação, em lugar de representar um lembrete dos 1.500 passageiros que se afogaram no naufrágio trágico.
"É uma mensagem de esperança, de renascimento, de que a vida é mais forte que a morte", disse ele em entrevista no estande da Romaine Jerome na feira em Basiléia, onde mais de 2.100 fabricantes estão expondo seus produtos. A empresa vai produzir 2.012 relógios "Titanic-DNA" para coincidir com o centenário do naufrágio do Titanic, em 2012.

FOTO: Os relógios foram postos à venda pela primeira vez em Basiléia por entre US$ 7,8 mil e US$ 173,1 mil.

ANCORADOURO 44-A CHEGADA




Durante os dias de testes, a White Star Line esteve representada por um de seus diretores, Harold Sanderson, enquanto a Harland & Wolff designou para acompanhar o processo um grupo composto por Edward Wilding, Thomas Andrews, sobrinho de lorde Pirrie, e uma equipe de nove especialistas. De acordo com a praxe, esse grupo permaneceria a bordo do navio pelo menos durante a viagem inaugural, em disponibilidade para quaisquer ajustes ou solução de eventuais problemas. Um outro personagem importante tinha sido designado para acompanhar os testes marítimos, não como mero espectador. Foi o inspetor do Board of Trade, Francis Carruthers, a quem coube assinar o certificado oficial de navegabilidade do Titanic, sem o qual o navio não poderia transportar passageiros. Tudo resolvido, a White Star Line investiu-se na posse do navio. Sanderson e Andrews cumpriram as formalidades necessárias e providenciaram a troca de documentos. Com a tripulação a postos, o Titanic desatracou pouco depois das vinte horas, singrando o mar da Irlanda e percorrendo o trajeto até seu porto, em Southampton, onde chegou pouco antes da meia-noite do dia 3 de abril. Na viagem de pouco mais de mil quilômetros realizaram-se novos testes c averiguações, e em certo trecho o navio atingiu 23,25 nós (43,05 quilômetros por hora), a maior velocidade que jamais alcançou. Na chegada a Southampton, cinco rebocadores estavam à espera, a fim de colocá-lo bem no meio da corrente do rio, manobrando sua popa na direção do ancoradouro 44 da White Star.

O Titanic chegara!


Trecho retirado do livro:
Titanic O Naufrágio – Leo Marriott – Página 28.

OS PRIMEIROS TESTES



Ao zarpar do acolhedor refúgio da baía de Belfast, o Titanic deveria se dirigir a leste para entrar no mar da Irlanda, mas aquela primeira segunda-feira de abril, após um domingo de Ramos, era um dia desagradável, com rajadas de vento, chuvoso e mar agitado. Andrews, Wilding, Sanderson, Carruthers e o capitão Smith acharam que não era conveniente realizar os testes previstos com aquele tempo ruim e marcaram encontro para o dia seguinte. Ao contrário de seu navio gêmeo, que o havia precedido, o Titanic foi submetido a um só dia de testes, em vez dos dois previstos.
-Em relação a esse detalhe, confirmava-se também que não havia nenhuma intenção de fazer revisão meticulosa no soberbo transatlântico, pois queriam recuperar o dia perdido devido ao mau tempo. Contudo, na terça-feira de 2 de abril, os motores foram ligados normalmente e desligados muitas vezes para verificação de diferentes combinações com o barco parado. Os testes em movimento compreendiam a confirmação da parada de emergência, da velocidade e do giro. Imperioso, o navio sulcou o mar e foi aumentando gradativamente as revoluções do motor, alcançando velocidade de 18 nós mantendo a mesma rota. Para comprovar a distância necessária para parar, o capitão Smith ordenou a potência máxima dos motores e, chegando a uma velocidade de 20 nós, deu ordem para parar e “totalmente para trás”.
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Foram necessários 780 metros para que o Titanic perdesse completamente a força acumulada de empuxo àquela velocidade. Depois, mediu-se a amplitude do giro, retomando a velocidade de 20 nós. O inspetor Carruthers ficou surpreso com o sucesso do giro, realizado em espaço reduzido em relação ao imenso volume do transatlântico, completando a volta em apenas 1.200 metros e ao mesmo tempo avançando 640 metros. Finalmente, na viagem de volta ao porto, testou-se a capacidade de manobra do navio, imprimindo-lhe repentinas mudanças de rumo, fazendo um zigue-zague nas águas. Carruthers, um engenheiro com o título de primeiro oficial de máquinas, representava o Ministério do Comércio e, no cumprimento de suas funções, já havia feito incontáveis inspeções no navio durante o período de construção e acabamento.
-Para encerrar o balanço nitidamente positivo daquela jornada de testes, solicitou que se testasse o movimento das engrenagens para deitar as âncoras e a resistência das gruas encarregadas de içar as lanhas de salvamento. Diante do último pedido, o capitão Smith se limitou a fazer suspender as chalupas para fora do navio e depois as fez voltar, sem abaixá-las completamente até atingir o nível do mar.Também não foi feito o controle do equipamento todo de cada chalupa, nem se verificou se o sistema de gruas e chalupas era forte o suficiente para abaixar estas com a carga completa. O inspetor não percebeu que havia acontecido um princípio de incêndio em uma carvoeira, e o capitão não lhe comunicou o fato, talvez porque pensasse resolver o problema em Southampton, um porto bem equipado que tinha recursos muito eficientes contra incêndios.
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Tudo fora condicionado às pressas. Os incidentes que haviam bloqueado o Olympic, devido aos reparos necessários, tinham influenciado de forma negativa nos prazos de construção do Titanic. A viagem inaugural deste já havia sido adiada uma vez e não seria admitida outra mudança de data, não apenas por razões econômicas, que exigiam que a segunda unidade entrasse em serviço para recuperar o dinheiro perdido por falta de sorte, apesar do sucesso perante o público, mas também por motivos de imagem, principalmente para os clientes e para a imprensa. Agora era necessário respeitar a qualquer custo o anúncio oficial do presidente Ismay determinando a viagem inaugural para antes da Páscoa.
-No último momento, também precisou ser suspensa uma breve escala em Liverpool, sede oficial da White Star Line, para registrar o nome do Titanic. O clima ruim da segunda-feira atrasou a ida para Southampton, de modo que os testes no mar acabaram, ao final, sendo de apenas doze horas. Com William Murdoch como segundo oficial e Charles Herbert Lightoller como primeiro, o novo navio símbolo da frota de John Pierpont Morgan zarpou de Belfast, direcionando a proa para Southampton.

Há 100 anos no dia 03/04/2012

No dia 3 de abril, o tempo estava bom, fazia frio enquanto o Titanic atravessava o canal de São Jorge. Entre 4:00 e 6:00 horas, enfrenta espessa neblina. Servido o café da manhã: frutas frescas e tomates, omelete, mingau de aveia, batata sauté, filé recheado, rolos de arenque defumado, guizado de frango com agrião, bolinhos fritos de cevada, presunto, salsichas, ovos quentes ou fritos. Nas profundezas do navio, a atmosfera não é tão amena. Abrasa-se o carvão no depósito de estibordo da sexta sala de caldeiras e o fogo se alastra. Carvoeiros e fornalheiros começam a agir, retirando-o e molhando-o.

Ao meio-dia, o navio contorna Land's End, extremo ponto sudoeste da Inglaterra. Na Sala Marconi, atrás da primeira chaminé, o telegrafista John Phillips e seu assistente Harold Bride, procedem aos ajustes finais do equipamento, com uma chamada geral. Surpreendentemente, respondem uma estação de Tenerife, a quase 4.000km de distância, e outra de Port Said, a mais de 5.000km.

A noite, perto da ilha de Wight, ao largo de Southampton, encontra-se o navio com a embarcação do prático do porto, George Bowyer, que se transfere para bordo. Pouco antes da meia-noite, o Titanic chega a Southampton, atracando no cais 44 da White Star Line. Os rebocadores Hector, Ajax, Hércules e Netuno, da Red Funnel Line, aproximam o navio do cais, puxando-o pela popa. Por causa da greve dos carvoeiros, iniciada seis semanas antes, há numerosos vapores inativos, entre eles o New York, da American Line, que em breve será protagonista de um ominoso incidente.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Há 100 anos no dia 02/04/2012




Às 10:00 horas, do dia 2 de abril, puxado por rebocadores, o navio deixa a doca no rio Lagan e, por seus próprios meios, navega no lago de Belfast, que tem 20km de comprimento e entre 5 e 8km de largura. Ali começam a ser testados os equipamentos, a velocidade até 20 nós e manobras e paradas com reversão de motores.

Às 14:00 horas, o navio avança para o mar da Irlanda, à velocidade de 18 nós (33,3km/h), prosseguindo os exercícios, e em duas horas retoma a Belfast. O período de testes dura menos do que um dia. O supervisor do Board of Trade, Francis Carruthers, procede à inspeção do navio, e uma empresa londrina ajusta as bússolas para operações em mar aberto. É o dia da partida para Southampton. Encontram-se a bordo, além de outros 112 tripulantes, oito oficiais (Comodoro Edward Smith, Chefe dos Oficiais William Murdoch, 1º Oficial Charles Lightoller, 2º Oficial David Blair, 3º Oficial Herbert Pitman, 4º Oficial Joseph Boxhall, 5º Oficial Harold Lowe, 6º Oficial James Moody).

O presidente da Harland & Wolff, Lorde Pirrie, não comparece por motivo de saúde, está com pneumonia. Em seu lugar, embarca o engenheiro Andrews, acompanhado de oito técnicos do estaleiro, o chamado Guarantee Group, que deverá avaliar o desempenho do Titanic e sugerir alterações. O diretor de operações da White Star Line, Bruce Ismay, também não embarca, devido a compromissos familiares, e é substituído por outro executivo da empresa, Harold Sanderson.

Às 18:00 horas, o Titanic é puxado pelos rebocadores Herald (proa de bombordo), Haskinson e Herculaneum (costados de bombordo e estibordo), e Horbury (proa de estibordo), ao longo do rio Lagan e do lago de Belfast. Perto da cidade de Carrickfergus, na embocadura do lago, os rebocadores se afastam, e o navio, conduzido pelos timoneiros Alfred Nichols, e Albert Haines, e ainda sob inspeção, navega até o mar da Irlanda, retoma ao lago de Belfast e, parando, recebe de Carruthers o certificado: "Bom por um ano a partir de 2 de abril de 1912".

Às 20:00 horas, parte o Titanic para cobrir 917km até Southampton, principal terminal dos vapores da WSL desde 1907. Quem o comanda é o Capitão Charles Bartlett, Superintendente de Marinha da White Star Line.